Análise | Arlequina: Harleen

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Arlequina: Harleen é um material do selo Black Label da DC Comics publicado em 2019, escrito e desenhado pelo croata Stjepan Šejić. No Brasil o material foi publicado em 2020 em três edições num formato maior que o americano, chamado Magazine, em capa cartão.

Roteiro

Stjepan se propõem em contar o como Quinzel se torno Arlequina e amante do Coringa. Geralmente histórias dessa personagem não tem o objetivo de se levar tão a sério, e felizmente em ‘Harleen’ essa perspectiva muda. A personagem está com uma pesquisa de como muitos criminosos acabam perdendo a capacidade de sentir empatia, e com esses estudos ela tem por objetivo reabilitar criminosos insanos. Lucius Fox leva a teoria até Bruce Wayne, que através das indústrias Wayne passa a patrocinar sua pesquisa, dando a ela livre acesso aos pacientes/criminosos do Arkham.

O enredo não tem pressa de se desenvolver, e aos poucos vai posicionando com muita precisão as circunstâncias que levaram a psicóloga à enlouquecer. Personagens como Jim Gordon, Harvey Dent, e claro que o Batman, também são utilizados mesmo que de maneira um pouco mais sutil, mas que pesam muito dentro do desenvolvimento psicológico de Quinzel. A forma como causa e efeito se relacionam, e como situações inerentes acabam num dado momentos interferindo o núcleo principal é muito bem feito.

Harleen hq
DC Black Label/Arlequina: Harleen/Divulgação

O Coringa está incrível. Já sabemos que ele manipula Quinzel, e Stjepan consegue tornar essa manipulação muito convincente e eficaz. Em dado momento até parece que ele consegue mesmo sentir algum tipo de sentimento nobre, e isso na verdade acaba ficando meio em aberto.

O desenrolar de outros pacientes do Arkham é mais brando, mas também se explora um pouco mais a relação primeira de Arlequina com Hera Venenosa. Também é explorado a vida acadêmica de Quinzel, utilizados para fundamentar suas barreiras sociais e 0 quanto ela é focada em sua carreira profissional.

O âmago psicológico

Por se tratar de uma HQ que trata de temas psicológicos, existem muitos quadros de pensamentos e monólogos de Arlequina e que são de suma importância para entender como ela se comporta, acompanhado de um impressionante dinamismo e fluidez com que a leitura conduzida. O que poderia ser chato, se torna impecavelmente ótimo. 

DC Black Label/Arlequina: Harleen/Divulgação

É possível sentir também muito de ‘A Piada Mortal’, no que diz respeito a filosofia do Coringa de que basta um dia ruim, ou um “empurrãozinho” para que as pessoas enlouqueçam e mostrem sua verdadeira natureza de insanidade. Essa ideia foi também muito utilizada no filme ‘Batman: O Cavaleiro Das Trevas’, no Coringa do Heath Ledger.

Concomitante ao desastre de Quinzel, é trabalhado a transformação de Harvey em Duas-Caras, e apesar de ter menos tempo de páginas ele consegue ser tão bom quanto o da protagonista. O mais legal de se observar nessa multa transformação, é como um acaba influenciando o outro.

O final da HQ é um dos pontos mais fortes visto que, ao mesmo tempo que ela é obvia, ela é inovadora, e faz com que seja muito mais verossímil a maneira como se comporta a mente da Arlequina, e a luta dela com ela mesma. Chega até a explicar a mudança periódica que vem acontecendo da personagem, que era uma vilã e hoje é quase uma Anti-heroína. O final também explica dúvidas até do narrador, e do como a história foi contada.

Arte

Não bastasse o belíssimo roteiro, Stjepan entrega uma arte tão bela quanto. As páginas inteiras e duplas são lindíssimas e a forma como cada personagem é desenhado, com destaque para a própria Quinzel, é muito bom.

Harleen
CD Black Label/Arlequina: Harleen/Divulgação

O Coringa em dado momento é quase que representado como galã, principalmente nos diálogos com Arlequina, só que, quando ele ri, temos um representação totalmente diferente, e que muda a forma com que enxergamos e interpretamos o personagem. Isso também acontece ao final com Quinzel, mostrando a habilidade gráfica do autor. Nesse aspecto se insere também as representações de expressões faciais e corporais.

Considerações Finais

Muito provavelmente essa é a melhor história solo de Arlequina nas HQs e, quiça, até se somarmos todas as demais mídias de entretenimento. A personagem de Paul Dini está brilhante em ‘Harleen‘, e dá muitas forças ao selo Black Label. Quem sabe num futuro não muito distante, olharemos para trás e a veremos como um Clássico das histórias da Arlequina.

 

Por Geraldo Campos
Harleen
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Deixe um Comentário

Veja também

Fechar Menu