Análise | Batman: Asilo Arkham

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Publicado pela DC Comics em 1989, Batman: Asilo Arkham é uma Graphic Novel escrita por Grant Morrison (Homem-Animal, Grandes Astros Superman) e desenhado por Dave McKean (Black Dog, Sandman). No Brasil a edição recebeu tratamento de luxo, com capa dura, contando com vários extras e o roteiro na integrada de Morrison. 

Roteiro

Está havendo um motim no manicômio Arkham, em que vários funcionários estão sendo feito de reféns pelos criminosos liderados pelo Coringa. Obviamente o Batman é chamado para resolver o problema.

Grant Morrison logo nas primeiras páginas de história demonstra que seu roteiro é baseado muito em sua interpretação de ‘Alice no País das Maravilhas‘ (1865). Para entender toda a complexidade criada envolta do Batman é necessário ter entendido a obra de Lewis Caroll. Do contrário, não será consumido 100% do que está sendo desenvolvido. A princípio, o que parece uma obra simples, vai tomando cada vez mais um ar metafórico.

DC Comics/Batman: Asilo Arkham/Divulgação

Em paralelo também é explicado a criação e origens do manicômio, fundado por Amadeus Arkham. O que poderia se tornar a parte mais lenta e desinteressante da HQ, na verdade conversa muito bem com a história que está sendo contada do Batman, além de ser intrigante por si só. Tão intrigante que ela é responsável por toda a carga de horror, pois a partir da história de Amadeus é que entendemos o que efetivamente Batman está enfrentando, que vai além de sua galeria de vilões. 

DC Comics/Batman: Asilo Arkham/Divulgação

Morrison é conhecido por escrever histórias que ninguém entende à não ser ele mesmo, e apesar de Asilo Arkham ter sua peculiaridade e profundidade, ela não é de difícil entendimento, principalmente por não depender de nenhuma amarra cronológica dentro do universo regular da DC. Na contramão disso, vão sendo referenciados autores de desconhecimento geral do publico como Carl Gustav Jung e Aleister Crowley, misturando elementos psicoanalíticos e místicos dentro de sua obra.

Batman insano

Morrison discuti sobretudo a sanidade do próprio Batman, num questionamento se ele é são, ou tão louco quanto seus inimigo, com associação principal ao Coringa, que recebe uma de suas versões mais bizarras. No decorrer da estória Bruce enfrenta vários vilões de sua galeria pelo Arkham, mas são embates mais filosóficos que necessariamente físicos. 

Batman Asilo Arkham
DC Comics/Batman: Asilo Arkham/Divulgação

Batman em vários momentos faz coisas que não correspondem a sua maneira mais integra, ou coerente de agir. Nesse momento entra muito da interpretação do próprio leitor ao final da HQ, onde, dependendo, elas podem ser justificadas ou não. 

Para ter ideia, Batman chega a implorar por ajuda, num trecho em que ele diz “Socorro! Pelo amor de Deus, faça alguma coisa”. Realmente não são palavras que se espera vir do Morcego de Gotham, mas que, como dito, são justificáveis à partir de sua interpretação ao final.   

Arte

Dave McKean dispensa comentários. Seus desenhos poderiam muito bem serem expostos em galerias de arte e deixar qualquer de queixo caído tamanha é sua habilidade.

Por vezes ele parece até estar representando um sonho de Bruce, e a insanidade dos personagens saltam aos olhos do leitor, bom como o horror. 

batman asilo arkham
DC Comics/Batman: Asilo Arkham/Divulgação

Outro trabalho muito bem feito é quanto os balões de fala do Coringa. Eles possuem uma fonte própria para as letras, que tiveram de ser adaptadas para receber edição no Brasil.

Considerações Finais

Batman: Asilo Arkham se consagra com um clássico do Morcego, não só pelos desenhos, como pelas pautas levantadas por Morrison ao longo do conto. Para leitores de primeira viagem a Graphic Novel pode assustar um pouco pela maneira como ela é conduzida, mas numa segunda leitura ela se torna muito mais profunda.

 

Por Geraldo Campos
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