Análise | Enola Holmes

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Enola Holmes é um filme original da Netflix, que adapta o livro Enola Holmes: O Caso do Marquês Desaparecido. O longa é dirigido por Harry Bradbeer, estrelando Mille Bobby Brown como Enola e Henry Cavill como Sherlock

Roteiro

O universo de Sherlock Holmes é vastamente explorado, desde suas adaptações para os quadrinhos até seus filmes com Robert Donwey Jr, e série com Benedict Cumberbatch. Fato é que todos eles retratam o famoso detetive, cada um em sua maneira, porém, com Mille protagonizando a película da Netflix, uma nova atmosfera pode ser sentida. 

Enola Holmes se passa no começo do século XX, sendo Enola uma garota que irradia vida, e viveu praticamente sozinha com sua mãe. Com ela, aprendeu a lutar, decifrar enigmas, química, física, ler, e tudo mais o que faria dela uma mulher independente. Até que aos seus 16 anos sua mãe desaparece, e Enola reencontra seus irmão (Sherlock e Mycroft Holmes).

enola holmes
Netflix/Enola Holmes/Divulgação

Mycroft (Sam Claflin) enxerga sua irmã como uma selvagem, e quer manda-la para um colégio interno, para que se torne uma “dama” e esteja pronta para a sociedade. Por vezes é fácil enxerga-lo como uma espécie de vilão ou antagonista.

Já Sherlock gosta da menina, mas logo de cara a trata com indiferença, até que os laços se estreitam. Um ponto relativamente inesperado é justamente sua caracterização; ele está mais emotivo e sociável, se comparado com a série e filmes. O que lembra seus contos clássicos do período pós Primeira Guerra Mundial. 

O roteiro apesar de simples, é divertido e leve, trazendo consigo um otimismo cativante, transfigurado por Bobby Brown. A história traz a tradicional “Jornada do Herói” com o amadurecimento da personagem, mas carrega sobretudo uma interessante mensagem sobre feminismo, renovação e liberdade.

Existem várias quebras da quarta parede, em que Enola olha e conversa diretamente com o espectador. Mesmo recorrentes, elas não são exageradas, e servem tanto para narrar o filme, como para criar carisma; o que pode parecer por vezes um tanto quanto forçado.  

Enola e Sherlock

Fica bem evidente que Enola tem um grande potencial para ser detetive. Uma questão curiosa fica em saber como funcionaria a química entre irmãos trabalhando justos; algo que não ocorre no filme. Ao mesmo tempo essa ideia pode ser um pouco frustrada por conta desse Sherlock Holmes mais emotivo, como já dito. 

enola holmes critica
Netflix/Enola Holmes/Divulgação

O personagem demostra explicitamente algumas emoções durante todo o desenrolar da história, e não existe um real choque de realidade entre ele e a garota jovem cheia de vida, pelo contrário, em dados momentos o detetive simpatiza com os ideais e princípios da irmã, existindo então uma identificação; o que também não deixa de ser interessante.  

Ponto positivo é que, apesar de usar suas habilidades em dados momentos, o palco é de Enola, e em seu arco de descobrimento e amadurecimento, e Sherlock não interfere tanto em seu caminho.

Atributos Técnicos

O elenco é muito bom, dá para sentir que Bobby Brown interpreta a personagem com vivacidade. É muito bom vê-la atuando fora de Stranger Things, e ainda mais como protagonista, ao lado de ótimos atores como Cavill e Claflin.

As cenas de ação são medianas, e os diálogos e personagens coadjuvantes são legais. Outro ponto favorável ao filme é Lord Tewksbury (Louis Partridge), que no primeiro momento parece irritante, mas que aos poucos conquista seu espaço. Esse seria “meio que o par romântico” de Enola, e nesse ponto o filme acerta muito em como desenvolver isso; visto que é um tipo de sentimento que os Holmes não sabem muito bem como canalizar.  

enola holmes analise
Netflix/Enola Homes/Divulgação

As motivações de cada personagem são boas, e cada pontinha solta se amarra no final. Na verdade, o desfecho é relativamente previsível, e não conta com nenhuma grandiosa reviravolta, mas que ainda assim possui seus méritos.

Considerações Finais  

Enola Holmes é um filme leve e otimista, mas que se leva a sério e traz uma importante mensagem de forma natural e subliminar, tocando em temas importantes e contemporâneos. Uma história simples, mas que diverte e vem para somar ao catálogo da Netflix.

Por Geraldo Campos

 

 

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