Análise | Esquadrão Suicida

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‘Esquadrão Suicida’ (2016) é um filme escrito e dirigido por David Ayer. Seja devido às turbulências sofridas durante sua produção ou devido às decisões artísticas, a produção possui incontáveis problemas. Sendo assim, é razoável considerar que ele conquiste uma posição entre os piores filmes de heróis de todos os tempos.

Sinopse: Uma agência secreta do governo recruta alguns dos criminosos mais perigosos capturados para que eles salvem o mundo e impeçam o apocalipse.

 

Trabalho de roteiro

Em resumo, ‘Esquadrão Suicida’ é um exemplo para não ser seguido. Afinal, o filme desrespeita praticamente qualquer princípio básico da escrita de roteiros. Em fato, apesar de possuir uma equipe de relativo renome, é impressionante que a obra seja incapaz de entregar um roteiro simples.

Ao listar os problemas percebidos na trama, pode-se destacar a abstinência de um primeiro ato. Este é provavelmente o maior erro da obra, já que abster-se de tal parcela do filme significa não apresentar adequadamente nenhum dos elementos da história. Além disso, ‘Esquadrão Suicida’ mergulha em um segundo ato excessivamente longo, confuso e maçante.

É possível que seja argumentado, em defesa do projeto, que os personagens são de fato apresentados na introdução do filme, através de uma conversa em que um dos personagens revela a identidade dos personagens. Contudo, essa não pode ser considerada uma apresentação adequada, já que nada sabemos sobre tais pessoas além do que nos é dito. Ou seja, a película falha em apresentar o Esquadrão de forma a gerar qualquer nível de empatia ou destacar um personagem principal.

Em oposição ao que foi comentado sobre ‘Guardiões da Galáxia’ (2014) sobre o needle drop, em ‘Esquadrão Suicida’ a escolha de músicas populares é óbvia, e não apresenta nenhuma função narrativa. Por essa razão, o filme ganha um ar pedante, quase circense – levando-se em conta apenas a presença de música e palhaços – de forma a se tornar quase uma paródia da produção Marvel.

Esquadrão Suicida
DC Entertainment/Suicide Squad/Divulgação

 

Atributos técnicos

Apesar de ter recebido uma premiação da Academia na categoria de Melhor Maquiagem e Penteado, a criação não merece destaque nem mesmo nessa área, já que não vai mais longe que a maior parte das grandes produções.

Outra parte da tragédia que constitui ‘Esquadrão Suicida’ é o desrespeito que sofrem seus personagens. Na realidade, é quase impossível que qualquer um que conheça minimamente suas personalidades note que suas contrapartes representadas no filme não correspondem com seus traços mais básicos. Evidências disso são a incoerência das ações de Coringa (infelizmente comparável com um drug lord) e a sexualização de Arlequina, que ocorre de maneira a desmentir cada um dos seus traços de personalidade. 

Em compensação ao fracasso ou mediocridade das outras áreas, deve-se reconhecer que um dos poucos aspectos positivos da película é a atuação de Will Smith e Margot Robbie, que são responsáveis por trazer o pouco interesse que o filme é capaz de provocar. Ainda assim, é necessário reconhecer que bons atores não são suficientes para fazer um bom filme.

Esquadrão Suicida
DC Entertainment/Suicide Squad/Divulgação

 

Considerações Finais

Assim como mencionado na análise de ‘The Last Days Of American Crime’ (2020), a trama de um filme não pode se resumir a contar uma história através da fala dos personagens. Infelizmente, porém, ‘Esquadrão Suicida’ não consegue fazer isso. Não há cuidado para apresentar a trama visualmente, já que tudo é narrado por algum dos integrantes do filme. Além disso, não existe qualquer área do filme que se destaque no meio cinematográfico, sendo que existem obras com orçamento expressivamente menor, capazes de atingir primor técnico infinitamente maior.

 

Por Sergio Sbeghen

Esquadrão Suicida
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