Análise | O Diabo de Cada Dia

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Lançado em 16 de setembro de 2020, O Diabo de Cada Dia é um filme original da Netflix, dirigido por Antonio Campos que praticamente adapta o romance de Donald Ray Pollock de nome “O Mal de Cada Dia”. O longa conta com um elenco bem conhecido pelo publico geral, estrelando Tom Holland (Homem-Aranha), Robert Pattinson (O Farol, The Batman) Bill Skarsgård (It: A Coisa) e Sebastian Stan (Capitão América: O Soldado Invernal).

 Roteiro

Alerta! Essa análise contém Spoilers!!!

O roteiro tem como foco contar a história da vida de Arvin Russel, que aos nove anos perdeu sua mãe para o câncer, o que por consequência levou seu pai a cometeu suicídio. Entretanto o filme explora outros núcleos, que no primeiro momento parecem independentes à história de Arvin. Nesse aspecto o filme já começa a lembrar um pouco as histórias de Tarantino, mas vamos por partes.

O Diabo de Cada Dia tem como objetivo poético mostrar como o mal está presente em tudo e todos, e usa da religião como o principal exemplo disso. Na verdade, muito se fala sobre maldade, e sobretudo fanatismo.

Essa retratação de maldade na igreja se dá por meio do pastor, que se aproveita sexualmente das jovens fieis do culto, sendo a primeira delas Lenora, irmã de Arvin.

o diabo de cada dia
Netflix/O Diabo de Cada Dia/Divulgação

O Diabo

Se observado com mais atenção, todos os nuances do filme giram em torno da maldade e violência. Logo no começo do longa, temos Willard, pai de Arvin, voltando da Segunda Guerra Mundial e trazendo consigo um grande trauma. Conforme os anos avançam vemos forte influência da Guerra do Vietnã nos pensamentos de Arvin, que cogita se voluntariar

Outros três núcleos de violência estão com Lenora que é perseguida por “machões” na escola; o xerife corrupto, e o casal psicopata de serial killer (Sandy e Carl), que tiram fotos de suas vítimas enquanto são torturadas. Então voltamos aquele ponto, isso parece uma história do Tarantino.

As vidas de Arvin e do casal de serial killer só se cruzam nos momentos quase finais do filmes, sendo que fazem parte de núcleos relativamente diferentes. E esse encontro, apesar de ser coincidência, não chega a ser nada forçado, lembrando muito Pulp Fiction. Para confirmar ainda mais isso, apesar do filme seguir uma cronologia, ele não é totalmente linear, indo e voltando no tempo em alguns breves momentos.

Atributos Técnicos

O Diabo De Cada Dia possui um grande elenco. Tom Holland está radiante em sua interpretação, e se distância muito daquele menino inocente que interpreta nos filmes do MCU. Holland consegue transmitir de forma convincente a carga dramática de Arvin, e cria forte empatia com o espectador. 

o diabo de cada dia
Netflix/O Diabo de Cada Dia/Divulgação

Infelizmente alguns ótimos atores possuem pouco tempo de tela, como Robert Pattinson e Bill Skarsgård. Para quem assistiu ou pretende assistir dublado em português inclusive, vai se incomodar muito com a dublagem de Pattinson, principalmente por conta da sincronia labial. 

O longa não apresenta nada de realmente inovador; ele une vários elementos que deram certo e replica. Isso não é nenhum problema, pelo contrário, funciona bem, é possível sentir muito de Táxi Driver durante seu desenvolvimento e tudo o que envolve os traumas pós guerra, e a violência intrínseca do ser humano.

Mesmo com todos os pontos positivos de roteiro e elenco, o fim do filme ainda passa uma sensação de que faltou alguma coisa à mais. O problema não é necessariamente terminar em aberto, a parte que incomoda é o quanto o fanatismo religioso é pautado, mas termina sem uma modificação, ou reviravolta de perspectiva de Arvin sobre a sua ideia e entendimento de Deus ou da Igreja.  

Considerações Finais

O Diabo de Cada Dia se desenvolve dentro de uma atmosfera retro e entrega diferentes núcleos de histórias que se conversam de forma curiosa e inteligente. Permeado de diversas críticas sociais, o longa parece carregar um pesar particular, que se reflete num profundo pessimismo da real natureza humana. 

Por Geraldo Campos
O diabo de cada dia
Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on whatsapp

Deixe um Comentário

Veja também

guerra civil

10 grandes desenhistas das HQs

Listar os dez melhores desenhistas das HQs é praticamente impossível. Por isso optamos por listar dez grandes nomes das HQs, sem competitividade. Grandes nomes ficaram

Leia mais >
Fechar Menu